quinta-feira, 20 de março de 2008

REFLEXÕES SOBRE O CASO DE GUARATUBA

“ A Justiça sem a força é impotente;
A força sem a Justiça é tirânica.
A Justiça sem a força será contestada,
porque sempre haverá maus.
E a força sem a Justiça será acusada.
É preciso, pois, reunir a Justiça e a força;
e, dessa forma, fazer com que o justo seja forte
e que o forte seja justo.”

(Pascal)

STF ACATA LIMINAR E SUSPENDE NOVO JÚRI DAS ABAGGE

Este foi o título estampado, na última semana, pela maioria dos Jornais, Revistas e Sites de Notícias. A maioria dos jornalistas que fez matérias com títulos semelhantes, acompanhou o mais longo Júri da história da Justiça do país – 34 dias, noites e madrugadas -, leu e investigou o caso, que ficou conhecido na imprensa mundial como “As Bruxas de Guaratuba”, e, profissionais corretos e dignos, eles assinaram os seus textos.

E, nenhum desses profissionais da imprensa usou termos pejorativos ou, ainda, colocou, como os anônimos de algumas revistas “ditas especializadas”, frases assim: “Celina e Beatriz Abagge são acusadas de encomendar o assassinato de uma criança em Guaratuba (Paraná) para um ritual de magia negra”. Ora, não há nem provas de que o corpinho encontrado seja o de Evandro Caetano. Os exames odontológicos estavam rasurados e com erros de identificação dentária, entre outras coisas. E os dois primeiros exames de DNA foram “inconclusivos” e o terceiro foi questionado judicialmente.

Poucos sabem que, em 1992, Celina e Beatriz Abagge (mãe e filha do então prefeito Aldo Abagge, de Guaratuba, e já falecido) e mais cinco homens – Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos, Vicente de Paula, Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli - foram seqüestrados e torturados por autoridades, da área de segurança pública, para confessar um crime contra um garotinho, Evandro Caetano (que estava desaparecido assim como outros mais de 20 menores de idade, no Paraná). Um crime que todos os sete juram jamais terem cometido. Mesmo assim, as duas mulheres e os cinco homens ficaram presos, sem julgamento, por quase sete anos.

Celina Cordeiro Abagge e Beatriz Cordeiro Abagge, mãe e filha, já foram absolvidas em um Júri popular, assim como Bardelli e Cristofolini, uma vez que não há uma só prova contra os ex-acusados. (Exceto a própria confissão sob tortura). Mesmo assim, o Ministério Público recorreu para anular o Júri das Abagge. Os seus advogados de defesa entraram com recursos e ganharam uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF), para suspender a realização de um segundo julgamento pelo Tribunal do Júri, em Curitiba, que estava marcado para o dia 24 de março deste ano.

Ao analisar o pedido, o ministro Eros Grau frisou que o pedido versa sobre a produção de prova pericial, que teria desrespeitado o princípio do contraditório. O relator deferiu o pedido de liminar para suspender o julgamento já agendado até que o Supremo analise o mérito da ação.

Este, a análise do mérito da ação, é um ato de enorme dificuldade para qualquer leitor. Imagine-se para quem deve julgar um processo de mais de 10 mil páginas, eivado de erros e provas adulteradas, rasuradas, contradições, depoimentos falsos que, no decorrer do Júri em São José dos Pinhais, resultaram na prisão de alguns dos depoentes e, ainda, no suicídio de um perito às vésperas dele depor contra as Abagge. Um pobre homem atormentado e pressionado que preferiu a morte.

No Paraná há dezenas de crianças desaparecidas e que, ainda desaparecem como em todo o mundo. Basta lembrar o recente caso da pequena inglesinha, Madeleine, que desapareceu em Portugal. Mas lá, os jornais vão ter de pagar uma pesada indenização aos pais da menina desaparecida. Já, no Brasil, o disque-disque e as maledicências correm soltas. Mas, afinal, o que se pode esperar de uma cidade que ergueu, na sua principal avenida, um monumento à Boca Maldita?!

É para refletir, porque com más palavras, quantas famílias, quantas vidas são dilaceradas e, até perdidas, vítimas fatais, quando o essencial era criar instrumentos eficazes de proteção e de busca às crianças desaparecidas! Como, por exemplo, um “Alerta Amber”, semelhante ao dos Estados Unidos e que recupera essas pequenas vítimas em poucas horas. Mas, no Brasil, infelizmente, é mais importante recuperar os nossos carros roubados. Não é mesmo?!

Estas são histórias verídicas e, uma delas, poderia ser a sua. Pense nisso!

Vania Mara Welte

5 comentários:

beatriz090912 disse...

Pela justiça se espera
Desde que a chuva de pedra
Iniciou-se em um ritual de TORTURA
Pelos ditadores dessa terra.....


Participem e divulguem a comunidade DIGA NÃO!!A TORTURA!

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3980568

Minha entrevista na comunidade MEUS PENSAMENTOS E ENTREVISTAS

http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=16875593&tid=2506999569933303405

Relatório do Conselho Estadual da Condição Feminina

http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=14504136&tid=2469319589892862925

Abraços;
Beatriz Abagge

VMWELTE disse...

Olá, Bea!

É isso aí, brava guerreira.
Desistir, jamais.

(...)Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D'imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d'ouví-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.(...)

(...)Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

(Trechos da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias)

Beijos, com carinho;

Vania Mara Welte

Territorio Mulher disse...

Um fio tênue nos afasta do caos!
Este fio muitas, demais vezes se rompeu e muitas ficaram penduradas no sofrimento e tragédia.
Como praga de 7 anos, numero fatídico, assim permaneceram Beatriz e sua mãe presas aguardando que os canibais da justiça decidissem sobre suas vidas.
Não estavam satisfeitos ainda com a violencia e acusações impostas a família, como toda praga queriam e querem mais.
Muitos da família se foram nestes tempos na ponta deste fio esmagador, mergulhados na indignação e dor.

Como curar as chagas impostas?

Que esta família nos perdoe por termos ignorado esta trajetória infame da justiça por tanto tempo.

Que Deus puna com sua ira aqueles que agiram com crueldade contra esta família.

Afastem-se criminosos desta família

Ana Maria Bruni

VMWELTE disse...

Cara Ana:

Concordo com você sobre a luta pelos direitos e pela vida usurpados de Betriz e de sua mãe, Celina Abagge, e os dos cinco homens acusados, no mesmo caso, em 1992, no Paraná.

Aliás, hoje, de acordo com a Lei Brasileira, dona Celina já tem idade para não ser mais julgada. Um de seus advogados de defesa lhe ofereceu este benefício, Dona Celina o recusou, tal a certeza que ela tem de que se fará justiça neste caso. Ainda que muito tardia.

Dona Celina ainda disse: "Eu jamais abandonaria a minha filha neste caso. Eu nunca a deixaria ir à Júri sozinha, caso isso seja de novo necessário. Mas tenho fé em Deus que a Justiça será feita, será reiterada. E nós duas vamos juntas até o seu final, ouvir mais uma vez a sentença judicial: - Inocentes!".

Cara Ana, a grande lição que fica para todos nós, cidadãos e cidadãs, para toda a mídia, é de que ninguém pode julgar o outro sem o conhecimento de todos os fatos.

Atualmente, passamos por mais duas tragédias que envolvem a morte de duas criaças. E que, de acordo com a mídia e autoridades,foram arremessadas do alto dos apartamentos onde moravam. Uma em São Paulo e outra em Sergipe (caso não me falhe a memória).

Será que nós vamos repetir o mesmo erro? Vamos, mais uma vez, julgar as pessoas acusadas antes do veredicto final da própria Justiça?

É bom refletir sobre nossos pensamentos, palavras e ações.
Isso, para não nos tornamos assassinos, tão cruéis, como quem fez isso com essas duas recém pequenas vítimas indefesas.

Abraços fraternos;

Vania Mara Welte

kaptankusto disse...

ola mara!! tell me really bea life!! waht to be now she have got a crime??