domingo, 25 de outubro de 2009

PARA UM MENININHO AMADO













Era uma vez um menininho lindo,
de cabelos e olhos negros.
Um menininho inteligente, criativo,
sensível, curioso e irrequieto.

O menininho cresceu,
se tornou mais bonito ainda,
e todas as suas qualidades
cresceram com ele.

Ele tem nome e personalidade marcantes,
E se prepara para altos vôos na vida.
Vai, menino, e voa,
voa o mais alto que você puder...

Menino, o teu caminho é livre...
Basta sonhar, trabalhar o solo
Pra tudo fecundar
E você já sabe disso...

Cante, menino,
cante uma canção que emudeça os prantos,
que dê fim aos ataques
e ensurdeça os gritos de dor deste mundo...

Vai menino, cante a sua canção...
O mundo é todo seu...

VMW

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

BRASIL: UM PAÍS DE RIOS DE MERDA COMPARADO A BANGLADESH

Vazamento de óleo causado pela Petrobrás,
no Paraná, mais especificamente no Rio Iguaçu, no ano 2.000

(Foto do Site: www.sefloral.com.br)

Agenda do saneamento é vergonhosa,
diz presidente do Instituto Trata Brasil, Raul Pinheiro

A agenda do saneamento básico no Brasil é vergonhosa, na opinião do presidente do Instituto Trata Brasil, Raul Pinho. Ele lembrou que o setor ficou esquecido por cerca de 20 anos, até a criação do Ministério das Cidades em 2003, e que nesse período os centros urbanos cresceram em taxas exponenciais por conta da migração do campo.

Segundo o Instituto, atualmente 50% da população brasileira não têm acesso à rede de esgoto. Outro agravante é que apenas um terço do esgoto produzido no país é tratado – os outros dois terços são jogados in natura em rios e praias.

Ao participar do 4º Seminário Internacional sobre Federalismo e Desenvolvimento, Pinho alertou que os problemas de saneamento no Brasil podem comprometer, inclusive, o bom acesso à água potável (94%). “O esgoto contamina a água. Para que ela seja tratada, você gasta mais dinheiro com produtos químicos e com energia”, disse.

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgaram um estudo sobre diarréia. A doença é provocada, dentre outros fatores, pela falta de coleta e tratamento de esgoto. O documento mostra que 1,2 bilhão de pessoas no mundo não dispõem de banheiro.

“O Brasil está em sétimo lugar nesse ranking da vergonha, junto com Bangladesh. Não dá para um país que quer ser destaque entre as maiores economias do mundo ter essa posição”, afirmou.

Ele ressaltou que o acesso ao saneamento básico é um direito constitucional mas que os próprios brasileiros não valorizam essa agenda. Uma pesquisa encomendada pelo instituto ao Ibope revela que 60 milhões de pessoas em todo o país não sabem sequer o que é saneamento básico ou para onde vai o esgoto produzido nas residências.

Apesar de as regiões Norte e Nordeste apresentarem baixas taxas de cobertura, o foco no Brasil, de acordo com Pinho, devem ser as grandes metrópoles. Isso porque no interior o problema não é tão crítico, já que as casas são construídas distantes umas das outras. Mas, em favelas, o adensamento de pessoas faz com que os problemas de saúde se tornem críticos.

Além do “convencimento” da população acerca da importância do tema, ele defendeu que as mudanças sejam cobradas de prefeitos em todo o país, já que o problema se resume como urbano.

Indicadores da OMS garantem que, a cada quantia investida em saneamento, economia chega a ser quatro vezes maior na área da saúde. O Brasil, segundo Pinho, precisa levantar R$ 270 bilhões para que todos os cidadãos tenham acesso a esgoto tratado, mas o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para o setor destina apenas R$ 10 milhões ao ano.

“É uma agenda que ultrapassa esse governo, uma política pública de longo prazo. Temos que investir sempre porque as cidades crescem todos os dias. É uma política que tem que ser enfrentada com continuidade e nós, como cidadãos, temos que cobrar”.

(Texto e título da jornalista Paula Laboissière, da Agência Brasil, veiculado no dia 20.10.2009)

http://amarnatureza.org.br/http://amarnatureza.org.br/site/agenda-do-saneamento-no-brasil-e-vergonhosa-diz-presidente-do-instituto-trata-brasil,17623/


Nota deste Blog:


Este texto foi enviado pelo engenheiro civil e querido amigo, Antônio Borges dos Reis. Ele ainda lembra que "produtos químicos em excesso provocam a formação do trialometano que, segundo denúncia do falecido deputado federal Max Rosenmann, são cancerígenos"

Grata pela informação e colaboração;

VMW

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A DIFÍCIL ARTE DE SER MULHER

Rachel-Weisz

Hors-concours em Cannes,
um dos filmes de maior sucesso
no badalado festival francês foi ''Ágora'',
direção de Alejandro Amenabar




A estrela é a inglesa Rachel Weisz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em ''O jardineiro fiel'', dirigido por Fernando Meirelles. Em ''Ágora'' ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia.

Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério ehidrômetro.Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento.Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadênciado Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.

Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, pormil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma. (...)

O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta porrecursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.

Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.

Onde há oferta de produtos - TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas - o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos e, agora, dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.

Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque: "procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e em piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem''. Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável. Se abre a boca, deve falar deemoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: ''gata'', ''vaca'', ''avião'', ''melancia'' ...

Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir...), mudar o vestuário o mais frequentemente possível,submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).

Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).

Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.

No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos. Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?

Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.

(Texto de Frei Betto, escritor e assessor de Movimentos Sociais)

O texto foi enviado pela artista plástica, filósofa e minha amada amiga, Maria Inês Hammann Peixoto, em colaboração com este Blog. Gratíssima. VMW


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A CIDADE SORRISO ESTÁ À PROCURA DE SEUS DENTES


(Fotos do Site www.baixaki.com.br)


São Longuinho bem que poderia iluminar
os que perderam a capacidade de pensar
e de ter bom senso no atendimento público em Curitiba


Uma noite dessas, por volta das 22 horas, a costureira Dona Luzia estava a caminho do ponto de ônibus do Hospital Nossa Senhora da Luz, que fica na esquina da continuação da Kennedy com a Mal. Floriano, a fim de tomar o biarticulado Cabral/Portão. Ela fora ajudar uma amiga a vencer o serviço para entregar uma grande encomenda no dia seguinte e por uma sucessão de infortúnios, só restou voltar para casa naquele horário, preocupada em chegar antes dos filhos saírem da escola e aliviada com o dinheirinho extra que entraria naquele mês.

Faltava vencer aproximadamente 50m para chegar à parada, quando o ônibus apareceu na esquina e ela fez todos os malabarismos para chamar a atenção do motorista, porque se perdesse aquela lotação, só dali a sabe-se lá mais quanto tempo naquele lugar ermo e escuro. Pensou que, por sorte, o sinal estava fechado na esquina da Rockfeller (pois acabara de atravessar a rua quando avermelhou) e era um motivo a mais para o motorista fazer a gentileza de parar a menos de 50m do ponto. Triste engano! Ele a viu, mas não parou...

Teve a desumanidade de deixar uma pessoa sozinha, uma mulher, ali, naquele adiantado da hora, num ponto escuro e isolado de uma Curitiba que há tempos não permite mais algum improviso desse tipo ou torna impraticável lidar com situação parecida. Uma Curitiba com toque de recolher imposto por bandidos e uma cidade em que a violência contra a mulher só aumenta.

Dona Luzia teve muito medo e não foi sem razão, porque minutos depois ela se viu abordada por um rapaz pedindo dinheiro, com a agressividade típica de quem não tinha nada a perder se lhe fizesse algum mal – mesmo que distante do que já vitimara o menino antes e o colocara em condições de reproduzir a violência. Só a explicação de que Deus existe é que pode contar como ela se livrou daquela situação.

No instante em que o rapaz intimidava a costureira na parada, passou outro ônibus, o Raquel Prado/PUC. Não tinha nada a ver com o seu trajeto, mas o condutor logo percebeu a situação e abriu a porta para a mulher aflita entrar. Ambos conversaram, ela lhe contou o que havia acontecido e ele ficou muito revoltado com a falta de sensibilidade demonstrada pelo colega que deixara Dona Luzia para trás.

Ela nem titubeou e pagou a passagem a mais. Por orientação dessa pessoa que sabe cumprir seu ofício, mas que também é, acima de tudo, um ser humano de bom senso, que pensa e que tem compaixão, ela desceu na PUC, onde havia mais iluminação, muitas pessoas transitando na saída da faculdade e tomou um ligeirinho para voltar ao seu trajeto original, rumo ao bairro do Cabral.

Luzia ficou pensando em quantas mulheres, quantas pessoas passariam por aquilo todos os dias, quantas funcionárias dos plantões da Santa Casa, serventes, que saem tarde do trabalho e enfrentam situações semelhantes? Ou mesmo quantas professoras e estagiários da clínica da PUC, que fica ali perto?

Esse sentimento de responsabilidade coletiva fez com que ela ligasse para o telefone 156 da prefeitura de Curitiba e resolvesse fazer uma reclamação. A moça que atendeu Dona Luzia perguntou: “ - você tem a identificação do motorista”? Ela disse que não, que não teve tempo de anotar placa ou número do ônibus, que só se preocupou em correr e fazer sinal para o veículo parar.

Muito menos saberia identificar a pessoa. “- Minha filha, era um biarticulado da linha Cabral/Portão, que passa no ponto do Hospital Nossa Senhora da Luz entre 22h05 e 22h10”. “ - Então, não podemos fazer nada . Não é possível abrir uma reclamação assim”, disse a mulher do outro lado da linha e que deve ter feito a mesma escola profissionalizante do motorista do Cabral/Portão.

Em vão, a costureira, religiosa como é e mãe de família, tentou explicar à atendente do 156 que o que a motivava ligar para a central da prefeitura era uma solicitação para que se transmitisse aos motoristas do transporte coletivo uma lição de cuidado em casos como o seu, ou mesmo no transporte de idosos, de mulheres que embarcam com crianças no colo e necessitam de um tempo a mais para se acomodarem ou ainda uma série de circunstâncias que exigem mais do motorista que saber dirigir e conhecer o percurso da linha.

Pediu que lhes explicassem que a falta de sensibilidade torna-os de certa forma responsáveis também pela desproteção das pessoas. Porque um gesto individual faria a diferença, como na iniciativa que teve o segundo motorista.

Enfim, tentou apelar para o bom senso e dizer que é preciso resgatar valores humanos, senso de coletividade, de amor ao próximo e de cuidado para com o outro nesse mundo em que valem mais que gentilezas e boa educação os lemas do “cada um por si”, “salve-se quem puder”, a lei do Gérson e por que não dizer o descompromisso do “foda-se”? Fique registrado que esse último jamais saiu da boca de Dona Luzia, ficou apenas guardado no fundo do pensamento da boa senhora. A indignação é que remete ao termo.

Para provar que não ligava a mínima pros argumentos da costureira ou sequer entendia o idioma em que ela se expressava, a atendente do 156 simplesmente respondeu: “- Não podemos generalizar”! Daí, quem não teve mais paciência para continuar a prosa foi Dona Luzia, pois aquele vocabulário repleto de negativas e imperativos de dificuldades exauria o restante das suas forças e descarregava as baterias da civilidade dessa mulher que nasceu e cresceu em outra Curitiba, em uma realidade diversa, sob uma convivência que não se pratica mais.

O retrato de uma sociedade, do convívio entre as pessoas e de uma gestão pública pode ser conferido em histórias simples como a de Dona Luzia. Eu leio os jornais, ouço o noticiário – seria melhor dizer obituário? - e me pergunto por que ficou tão difícil sair de casa à noite – ou mesmo de dia –, voltar com segurança, ir à igreja, comprar pão na padaria, remédio na farmácia, mandar os filhos para a escola? Ou simplesmente contar com um gesto de bondade de uma pessoa tão trabalhadora quanto a Dona Luzia?

Assim como o motorista e a atendente não se responsabilizaram com a vida e a opinião da costureira, o poder público também não está nem aí para os moradores da cidade. Transfere para cada um e só a responsabilidade com o cuidado e com a forma de proteção de que necessitam para sobreviver. Será pedir demais que se assuma a solidariedade como norma?

A cidade em volta de Dona Luzia mudou... Na essência e na aparência. Só o coraçãozinho dela é que parou no tempo e não percebeu os sintomas dessa transformação. Não até o instante em que se confrontou com a violência ali no seu nariz: na indiferença do primeiro motorista, na agressividade de um jovem pedindo dinheiro na rua, fruto dos males que o vitimaram a vida toda também, e no descaso da telefonista.

Diferente da noção da barbárie que tem a farmacêutica que toma anti-depressivos e possui o emocional totalmente despedaçado pelas sucessivas investidas à mão armada de outros tantos moleques a cada semana. O marido dela diz só ter uma certeza: “- Vai acontecer, a dúvida é quando e com quanta brutalidade”.

A cidade sorriso está à procura de seus dentes. Mas, nela, a humanidade ainda resiste na figura do outro motorista, o condutor do Raquel Prado/PUC. Na hora e lugar precisos, ao parar e abrir a porta do ônibus para Dona Luzia em gesto heróico, ele materializou uma autoridade que não existe no plano institucional e uma esperança que já se dava por perdida.


(Texto da jornalista Thea Tavares)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

NA FAZENDA TATU-JUPY...





















































































Nos fins de ano, todos nós nos encontrávamos no mesmo ponto,
no mesmo lugar, sob o mesmo destino:
ficarmos juntos, jogar conversa fora ou,
simplesmente, zoar um do outro...

Brincar, nadar, andar a cavalo, de carroça, charrete,
ir até a cachoeira, correr, jogar,
ler, assistir a um bom filme...
Nós tínhamos muito o que fazer e muito mais, ainda, o que lazer...

E as crianças?
Nós, adultos, chegávamos e as crianças, que lá já estavam,
chamavam umas às outras porque éramos a própria diversão
e era hora de brincar, brincar e brincar...
E todos nós brincávamos...
Até roteiro de filme a gente fazia e depois... filmava.
Ah! Todos eram estrelas e personagens principais.

E, nós, os adultos?
Nós, os adultos, tínhamos os mais velhos
para conversar, abraçar, acarinhar e também ganhar colo...
Era tanta gente, tanta riqueza humana, tanta... tanta...
que a gente nem se dava conta do nosso tesouro.

E a cada chegada de pai, mãe, irmão, irmã, sobrinhos,
sobrinhas, tios, tias, primos, primas, amigos, parentes...
fogos de artifício davam as boas vindas.
Era muita festa, alegria, risos... era, simplesmente, felicidade.
E tinha fatos, fotos, luzes, música, sonhos...
Havia sentimentos que ultrapassavam palavras, frases e ações.

Mas a vida é uma incógnita, transita entre a grandeza e a fragilidade.
E, de repente...
a dor, ausências, saudades invadem os nossos espaços.
E se instalam solenes em nossos corações.
E mesmo ausentes, até os quartos escuros se inundam da luz deles.
Basta perscrutar a escuridão...
Parecem pirilampos, piscando...piscando...piscando...

E à luz do dia, sob aquela natureza exuberante,
é possível vê-los andar, correr e até rir ou gargalhar.
Por mais incrível que pareça,
Todos eles estão ali, como nos velhos tempos...
Na mesma fazenda, em nossa memória, em nossos corações,
em nossas veias, em nosso DNA, enquanto vivermos...

E a vida...
a vida vai muito além do que o nosso delicado olhar alcança...

Vania Mara Welte

domingo, 4 de outubro de 2009

UM ALERTA MUNDIAL PELA VIDA

O Jardim Botânico, em Curitiba,
se veste de luzes na cor da campanha mundial
de alerta contra o câncer de mama.
Ninguém pode se omitir.
A vida é preciosa.
Cuide-se!

(Foto da querida e talentosa fotógrafa Irene Roiko Cheli)

MERCEDES SOSA, ADEUS!

Imagem: Deutsche Grammophon/Divulgação

Morreu neste domingo, aos 74 anos, a cantora argentina Mercedes Sosa. Ela estava internada desde o dia 18 de setembro no Sanatorio de la Trinidad, em Palermo, Buenos Aires, e seu estado de saúde se agravou na última semana, devido a problemas renais que afetaram o sistema cardiorrespiratório e órgãos vitais. A cantora estava em coma e respirava com a ajuda de aparelhos. O corpo foi velado na sede do Congresso Nacional argentino, em Buenos Aires.

O Brasil começou a despertar para a riqueza da voz de Mercedes Sosa em 1976, após um dueto da cantora argentina com Milton Nascimento. A faixa “Volver a los 17”, da compositora chilena Violeta Parra — de quem Mercedes foi uma das principais intérpretes — virou um dos maiores destaques do hoje clássico álbum “Geraes”. A partir daí, a barreira da língua não mais impediu que brasileiros se apaixonassem pelo marcante timbre de contralto de Mercedes Sosa e por seu repertório, entre canções folclóricas e de conteúdo político e social.

Os discos de Mercedes passaram a ser lançados regularmente no Brasil. A cantora gravou novos encontros com artistas da MPB como Fagner, Chico Buarque e, recentemente, Caetano Veloso — em outubro do ano passado, aproveitando a visita de Mercedes ao Rio, para receber a Ordem do Mérito Cultural, em cerimônia realizada no Teatro Municipal.

A faixa com Caetano fez parte do disco de duetos, lançado este ano, com um variado leque de convidados, incluindo ainda a colombiana Shakira, o uruguaio Jorge Drexler e a mexicana Julieta Venegas.

Nascida em Tucumán, em 9 de julho de 1935, Mercedes Sosa foi descoberta aos 15 anos, ao participar de um concurso de uma rádio em sua cidade. Seu primeiro álbum, “La voz de la zafra”, foi lançado em 1962, com repertório calcado em canções folclóricas. Os dois seguintes, “Canciones con fundamento” (1965) e “Yo no canto por cantar” (1966), já em seus títulos deixavam claro o engajamento político de La Negra, apelido que ganhou devido aos longos e lisos cabelos negros.

Peronista na juventude, Mercedes alinhou-se à esquerda a partir dos anos 1960. Em 1979, perseguida pela ditadura militar argentina, ela se exilou na Europa, vivendo em Paris e Madri. Nos anos 1990, foi opositora do presidente Carlos Menen e, depois, apoiou seu sucessor, Néstor Kirchner.

Independentemente das posições políticas, Mercedes merece ser ouvida por sua grande voz e seu repertório, em discos como “El grito de la tierra”, “Homenaje a Violeta Parra”, “Cantada Sudamericana”, “Interpreta Atahualpa Yupanqui”, “Corazón Americano” (com Milton Nascimento e León Gieco) e “Alta fidelidad” (com Charly García). Seu último disco, “Cantora, vol. 1”, teve três indicações ao Grammy Latino deste ano — que será anunciado em novembro.
(Texto da Agência Globo)

GRACIAS A LA VIDA

Composição: Violeta Parra
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Pela casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida

  • VOLVER A LOS 17

    Composição: Violeta Parra

    Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
    Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
    Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
    Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
    Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.
    Se va enredando, enredando
    Como en el muro la hiedra
    Y va brotando, brotando
    Como el musguito en la piedra
    Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

    Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
    El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
    Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
    Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
    Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

    Se va enredando, enredando
    Como en el muro la hiedra
    Y va brotando, brotando
    Como el musguito en la piedra
    Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

    Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
    Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
    Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
    Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
    Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

    Se va enredando, enredando
    Como en el muro la hiedra
    Y va brotando, brotando
    Como el musguito en la piedra
    Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

    El amor es torbellino de pureza original
    Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
    Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
    El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
    Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

    Se va enredando, enredando
    Como en el muro la hiedra
    Y va brotando, brotando
    Como el musguito en la piedra
    Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

    De par en par la ventana se abrió como por encanto
    Entró el amor con su manto como una tibia mañana
    Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
    Volando cual serafín al cielo le puso aretes
    Mis años en diecisiete los convirtió el queru.