Uma pose para a tia Vania."Tô bonito?"
Alexandre, de blusa branca, em pé, junto à grade,comemora aniversário com amiguinhos, primos e irmãos
Na piscina, de óculos escuros, curtindo a vida pai Vlademir, a mãe Eliane, e o irmão Lucas.
Faltou a bela irmã Daniele.Mas alguém tem de bater a foto...
Há no mundo alguém mais de bem com a vida do que eu?Não é dos carecas que elas gostam mais?"
Para onde vai o canto,
depois que os lábios se fecham?
Para onde vai a prece,
depois que o coração silencia?
E os rostos que amamos para onde vão, Senhor,
depois que nossas pupilas
se transformam em gotas de lama?
Ontem vi uma andorinha
que devia ter uns cinco milhões de anos.
Será que eu também sobreviverei ao que restar de mim?”
(Poema de Jamil Snege)
Faleceu às 12h20 desta quarta-feira, 25 de março de 2009, aos 19 anos de idade, o estudante de Direito das Faculdades Curitiba, Alexandre Sovinski Welte. Desde 2006, ele sofria de leucemia. Mesmo com diversas mobilizações para a doação de Medula Óssea, não foi encontrada compatibilidade genética suficiente para o transplante. Pudera! Deve ser muito difícil localizar o DNA de um anjo.
Criança, ainda, diziam que Alexandre Sovinski Welte havia nascido velho, tal a seriedade com que encarava tudo na vida. Até as brincadeiras. O que as pessoas não entendiam é que Alexandre havia nascido sábio e iluminado. De uma lucidez e generosidade inigualáveis, ao ponto de cuidar dos irmãos mais velhos, Lucas e Daniele, com a dedicação de um adulto. Mas era ele o irmão, o filho, o primo, o sobrinho, o neto caçula.
Já doente, mesmo passando por sessões agressivas de quimioterapia, ele jamais se queixou ou lamentou. Ao contrário. Era exemplar. Ao ponto de prestar vestibular para Direito e ser aprovado. Conseguiu freqüentar as aulas durante mais de um ano. Só ao iniciar, em 2009, o segundo ano de Direito e ainda trabalhando no Banco de Fomento, ele teve de interromper o seu ritmo de vida. Foi a parte mais doída para ele. Porém, ele nada disse. Aceitou o seu destino solitário com altivez.
Nos últimos dias de vida, extremamente debilitado e abaixo de muita química e morfina, ele abriu os olhos, sorriu e pediu, com grande dificuldade um pedaço de papel. A mãe dele, Eliane, diante daquele calvário, pensou que o filho delirava. Mesmo assim, o pai, Vlademir, a irmã e a namorada, Ana, lhe deram uma folha de papel. Alexandre pediu que a irmã escrevesse o que ele ditou com sacrifício:
“Vença quem vencer esta batalha (a vida ou a morte), todos nós seremos vencedores. E eu serei o maior vitorioso de todos, porque consegui reunir toda a minha família e amigos.
Amo cada um de vocês.
Beijos.
Tchau!
Alexandre”.
Depois disso, ainda beijou os pais, os irmãos, a namorada e as tias Sophia, Inês e Vania.
Diz a sabedoria popular que, em todas as famílias, há sempre um padre, uma prostituta, um louco ou um excepcional.
Na família de Alexandre não há um padre e nem uma prostituta. E toda a loucura e excepcionalidade existentes, Deus deve ter juntado tudo para espargir um pouco sobre a cabeça de cada um.
Mas esta é uma família rara e privilegiada. Pois recebeu a graça de conviver, por 19 anos, com um anjo: Alexandre Sovinski Welte. E quem o conheceu também foi abençoado.
A Deus e a você, Alexandre Sovinski Welte, a eterna gratidão, amor e saudades de toda a sua família e amigos.
Nota final: O corpo de Alexandre Sovinski Welte foi velado na Capela Vaticano, a partir das 19h30 do dia 25 e enterrado, às 11 horas da manhã do dia 26, no Cemitério Parque Iguaçu. Hoje, 31, foi rezada a Missa de Sétimo Dia em intenção à sua alma de anjo.
Vania Mara Welte



